Intervenção do Presidente da Direção da AFAS | IX Congresso Nacional das Pessoas Surdas
📍 Vila Nova de Gaia | 📅 1 de fevereiro de 2026
Senhoras e Senhores,
Caras e Caros participantes,
É uma honra representar a AFAS – Associação de Famílias e Amigos dos Surdos, agradecendo desde já o convite dirigido pela Federação para integrar este momento de reflexão nacional.
A AFAS, constituída maioritariamente por famílias e amigos de pessoas surdas, trabalha diariamente pela defesa dos direitos, da dignidade e da qualidade de vida das pessoas surdas, em estreita colaboração com o movimento associativo. No seu Plano de Atividades, considera essencial dar voz às preocupações comuns da Comunidade Surda e das famílias.
1. Afastamento entre Comunidade Surda e famílias
Uma das questões mais sensíveis que continuamos a identificar é o afastamento persistente entre a Comunidade Surda e as famílias de pessoas surdas.
Apesar de existirem sinais de aproximação, a verdade é que, na prática, esta relação continua frágil e pouco funcional. Este distanciamento compromete a construção de ambientes verdadeiramente inclusivos e impede respostas mais eficazes às necessidades reais das pessoas surdas ao longo da vida.
2. Acessibilidade: avanços insuficientes
Reconhecemos progressos na interpretação em Língua Gestual Portuguesa em alguns domínios — como televisão, educação e sistema judicial — mas a acessibilidade continua longe de ser uma realidade transversal.
Persistem múltiplos serviços públicos e privados sem interpretação em LGP, o que viola direitos fundamentais e mantém barreiras inaceitáveis à participação plena na sociedade.
3. Pessoas surdas idosas: uma urgência invisível
A situação das pessoas surdas idosas é especialmente preocupante.
Muitas continuam a ser encaminhadas para lares e estruturas residenciais sem qualquer acessibilidade linguística. O projeto LGP3i tem vindo a alertar para esta realidade, mas ainda falta uma estratégia nacional concertada, que una esforços e garanta uma resposta digna e adaptada.
4. Crianças CODA: uma forma invisível de exploração infantil
As crianças CODA, com demasiada frequência, são obrigadas a assumir o papel de intérpretes entre os pais surdos e a sociedade.
Esta prática — além de violar a lei portuguesa — expõe crianças a responsabilidades emocionais e sociais para as quais não estão preparadas.
É urgente reforçar o número de profissionais de LGP, sobretudo a nível local, para que nenhuma criança seja colocada nesta posição.
5. Trabalhar em equipa: uma necessidade estrutural
Respeitando a autonomia, os estatutos e as missões de cada associação, a AFAS defende que só um trabalho verdadeiramente articulado permitirá dar respostas eficientes.
Propomos, por isso, a criação de um Conselho Nacional de Pessoas Surdas, com reuniões regulares, descentralizadas, e que permita:
Observa‑se uma diminuição preocupante da participação de crianças e jovens no desporto surdo.
É fundamental investir, criar oportunidades e construir uma visão de futuro que mantenha viva a identidade e a força da Comunidade Surda também através da prática desportiva.
Mensagem Final
Acreditamos firmemente que o futuro da Comunidade Surda em Portugal se constrói com união, cooperação e visão comum.
A Bandeira da Comunidade Surda simboliza esta identidade partilhada — uma bandeira que representa todas as pessoas surdas, todas as famílias, todas as regiões, incluindo Açores, Madeira e toda a lusofonia.
Ninguém deve ficar para trás.
A acessibilidade é um direito, não um privilégio.
A Língua Gestual Portuguesa é de todos.
📍 Vila Nova de Gaia | 📅 1 de fevereiro de 2026
Senhoras e Senhores,
Caras e Caros participantes,
É uma honra representar a AFAS – Associação de Famílias e Amigos dos Surdos, agradecendo desde já o convite dirigido pela Federação para integrar este momento de reflexão nacional.
A AFAS, constituída maioritariamente por famílias e amigos de pessoas surdas, trabalha diariamente pela defesa dos direitos, da dignidade e da qualidade de vida das pessoas surdas, em estreita colaboração com o movimento associativo. No seu Plano de Atividades, considera essencial dar voz às preocupações comuns da Comunidade Surda e das famílias.
1. Afastamento entre Comunidade Surda e famílias
Uma das questões mais sensíveis que continuamos a identificar é o afastamento persistente entre a Comunidade Surda e as famílias de pessoas surdas.
Apesar de existirem sinais de aproximação, a verdade é que, na prática, esta relação continua frágil e pouco funcional. Este distanciamento compromete a construção de ambientes verdadeiramente inclusivos e impede respostas mais eficazes às necessidades reais das pessoas surdas ao longo da vida.
2. Acessibilidade: avanços insuficientes
Reconhecemos progressos na interpretação em Língua Gestual Portuguesa em alguns domínios — como televisão, educação e sistema judicial — mas a acessibilidade continua longe de ser uma realidade transversal.
Persistem múltiplos serviços públicos e privados sem interpretação em LGP, o que viola direitos fundamentais e mantém barreiras inaceitáveis à participação plena na sociedade.
3. Pessoas surdas idosas: uma urgência invisível
A situação das pessoas surdas idosas é especialmente preocupante.
Muitas continuam a ser encaminhadas para lares e estruturas residenciais sem qualquer acessibilidade linguística. O projeto LGP3i tem vindo a alertar para esta realidade, mas ainda falta uma estratégia nacional concertada, que una esforços e garanta uma resposta digna e adaptada.
4. Crianças CODA: uma forma invisível de exploração infantil
As crianças CODA, com demasiada frequência, são obrigadas a assumir o papel de intérpretes entre os pais surdos e a sociedade.
Esta prática — além de violar a lei portuguesa — expõe crianças a responsabilidades emocionais e sociais para as quais não estão preparadas.
É urgente reforçar o número de profissionais de LGP, sobretudo a nível local, para que nenhuma criança seja colocada nesta posição.
5. Trabalhar em equipa: uma necessidade estrutural
Respeitando a autonomia, os estatutos e as missões de cada associação, a AFAS defende que só um trabalho verdadeiramente articulado permitirá dar respostas eficientes.
Propomos, por isso, a criação de um Conselho Nacional de Pessoas Surdas, com reuniões regulares, descentralizadas, e que permita:
- refletir,
- auscultar necessidades,
- planear em conjunto,
nos domínios da educação, acessibilidade, desporto, cultura, vida política e participação cívica.
Observa‑se uma diminuição preocupante da participação de crianças e jovens no desporto surdo.
É fundamental investir, criar oportunidades e construir uma visão de futuro que mantenha viva a identidade e a força da Comunidade Surda também através da prática desportiva.
Mensagem Final
Acreditamos firmemente que o futuro da Comunidade Surda em Portugal se constrói com união, cooperação e visão comum.
A Bandeira da Comunidade Surda simboliza esta identidade partilhada — uma bandeira que representa todas as pessoas surdas, todas as famílias, todas as regiões, incluindo Açores, Madeira e toda a lusofonia.
Ninguém deve ficar para trás.
A acessibilidade é um direito, não um privilégio.
A Língua Gestual Portuguesa é de todos.
Feed RSS